Resumidamente, eis no que fundamento a minha posição...
A vida não começa com a fecundação: transmite-se.
Um espermatozóide e um óvulo separados são ambos células vivas.
Um espermatozóide que fecunda um óvulo origina um ou mais seres humanos individuais, que terão a mesma informação genética (é o caso dos gémeos univitelinos).
A fecundação dura uma vintena de horas e a nidação (implantação no útero) demora seis a oito dias.
Considero importante, pessoalmente, que o crescimento se acelere pela 12ª semana, mas parece-me mais relevante que só pela 24ª semana a taxa de sobrevivência do prematuro (viabilidade) se aproxime dos 50%, e que nesse momento já haja indícios de controlo do próprio corpo pelo feto (e portanto actividade cerebral consequente).
A maternidade é um direito mas não um dever.
Eticamente, não consigo valorar um aborto no primeiro mês de forma muito diferente da contracepção de emergência, e um aborto no oitavo mês de forma substancialmente diferente de um infanticídio.
Mas a liberdade da mãe é também um valor.
Não é um descuido, por muito irresponsável que seja, que deve obrigar uma mulher a completar os nove meses de uma gravidez, com tudo o que isso significa de cuidados, privações e investimento emocional.
No primeiro trimestre, existe um equilíbrio entre os valores da liberdade da mulher e da vida do embrião/feto, sobre o qual cada mulher deve poder seguir a sua consciência.
Ora um «não» só seria perfeitamente coerente se defendesse que o abortamento de qualquer óvulo fecundado fosse tratado como um homicídio.
No Código Penal actual, o «crime de aborto» tem a mesma pena no segundo e no oitavo mês, o que é absurdo e só se compreende porque o código penal reduz a prazos «intervalados» o que é contínuo.
Se a IVG for despenalizada até às 10 semanas, a maioria das IVG´s será, desejavelmente, realizada nas primeiras seis a oito semanas.
Se uma IVG é uma boa ou má opção, só compete a cada mulher decidir, porque só ela pode garantir que a gravidez irá até ao fim.
A mim, cabe-me votar no dia 11 de Fevereiro para que elas possam decidir sabendo que não serão obrigadas à clandestinidade, e cientes de que não serão investigadas ou levadas a tribunal.
Evidentemente, votarei «sim» no dia 11 de Fevereiro.
Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007
UPDATE 1 (observação):
Depois de praticamente ser impedido de entrar no Blogger fui compulsivamente "empurrado" para mudar para a versão Beta.
Esta versão é, a meu vêr e para já, uma grandecíssima "caca".
Como consequência, para lá de complicações surgidas no layout do Blog que procuro averiguar, aparecem aqui alguns amigos que estavam devidamente identificados e, inexplicavelmente, passaram a anónimos.
Do sucedido, a que sou totalmente alheio, peço desculpa.
Isto é o que se chama "andar de cavalo para burro!".
UPDATE 2 (observação):
Tudo indica que os erros (ortográficos e tornar os comentários anónimos) foram cometidos pelo Blogger aquando da transição para o Beta.
Os comentários posteriores á transição estão a sair bem... acho eu... lol.
Alguma anormalidade fico grato pela informação.
Obrigado,