Quase como aquele funcionário que confronta o patrão com a inevitabilidade dum aumento salarial para continuar a colaborar com a empresa.
Tem todo o direito de o fazer... como o patrão tem todo o direito de lhe não atender a pretensão.
Quando muito, independentemente da sua eficácia ou não, deveria ter apresentado essas medidas à tutela para apreciação.
O que elas pretendiam consistia numa quase revolução na metodologia de gestão dos museus portugueses coisa que, ainda que visto de "fora", só parece viável em estreita colaboração organizativa com os restantes.
Ora medidas desta natureza não podem ser tomadas de forma avulsa e discriminatória numa actividade que tem que ser ponderada no seu todo.
Ao longo minha vida aprendi a respeitar a hierarquia e considero isso fundamental para que se obtenham os objectivos traçados pela administração.
O funcionalismo público não é excepção e não é pensável que um qualquer funcionário, independentemente da sua posição, dite regras de actuação para com um seu superior hierárquico.
É neste contexto que aparece o comunicado dos membros dirigentes dos restantes museus nacionais que se demarcam categoricamente da tomada de posição duma pessoa que, deslumbrada por algum sucesso conseguido na gestão do seu museu, o queria transformar numa coisa sua e não interligada com a restante malha museológica nacional.
O tom das declarações da citada ex-directora como reacção ao comunicado conjunto destes directores e a forma como o faz, dá para compreender que se trata de pessoa convencida da sua superioridade, com alguma arrogância à mistura e revelando inclusive ser de trato difícil quando colocada em trabalho de equipa.
Não há dúvida que "deu um passo maior que a perna" e que se terá, narcisisticamente, sobre-avaliado.