
"É SEMPRE com pudor que alguém escreve um título como este, mas, um ano depois de o Governo ter tomado posse, José Sócrates tem-se revelado um primeiro-ministro com coragem, determinação, capacidade de decisão e visão.
Com coragem porque tem afrontado interesses que, durante anos, todos os Governos evitaram enfrentar. Com determinação porque a contestação nas ruas, organizada por esses mesmos interesses, não o fez recuar nem deixar cair os ministros sob fogo.
Com capacidade de decisão porque projectos que há muito acumulavam pó nas prateleiras dos ministérios avancaram finalmente. E com visão, como é um exemplo a decisão de introduzir o ensino do inglês nos 3.º e 4.º anos do ensino básico.
Mas convém acrescentar que o Governo não vive só do primeiro-ministro.
No geral, o Executivo é equilibrado e competente. Para além dos ministros já com provas dadas (António Costa, Mariano Gago, Alberto Costa), são de assinalar as boas surpresas na Educação e Agricultura - e a confirmação de que nas Finanças existe uma excelente equipa."
Tomei conhecimento de que andam por aí uns blogues que, descontentes com a actuação do Primeiro Ministro José Sócrates, tudo usam para o apoucar.
A última reside no facto dele ser ou não engenheiro.
A ter em conta uma nota do Correio da Manhã a Ordem dos Engenheiros diz não ter aí registo desse facto.
Sabe-se, no entanto, que há muito licenciado em engenharia que nela não está inscrito.
Mas o que aqui está verdadeiramente em causa, até porque José Sócrates não exerce a profissão de engenheiro, é como e porquê tudo isto surge.
É notório para os menos incautos de que tudo isto tem motivação política.
Numa altura em que o primeiro-ministro anuncia uma vitória da sua gestão, e do país, sobre o défice publico em Portugal, que estava previsto ser de 4,6% e que se viu reduzido para 3,9%, a oposição, e particularmente o PSD, á falta de argumento válido usa a chicana política.
Este partido mostra assim ter á sua frente gente pequena.
Pequena na estatura, pequena na mentalidade e pequena na política.
Apesar de não ser isso que aqui está em causa, os políticos que marcaram a história, todos eles, não a marcaram pelo facto da sua formação académica mas antes pelos resultados da obra que legaram aos respectivos países.
Como contraponto, António Salazar, o ditador fascista que durante décadas oprimiu o povo português, acabou a licenciatura em Direito com 19 valores.
Apesar de nunca ter exercido Direito, a sua formação académica resultou nas consequências que todos os portugueses bem sabem.
Milhares de mortos e estropiados numa guerra colonial inútil e que um inapto político não viu que era uma guerra perdida.
Para além do sofrimento e morte de muitos dos seus melhores filhos, legou a Portugal o atraso que se conhecia a 25 de Abril de 1974, o desprestígio e o isolamento internacional.
José Sócrates será porventura o melhor primeiro-ministro desde que Portugal conhece a democracia como regime político.
A sua entrega e dedicação á causa pública é um facto que ninguém sério ousa por em causa.
Tirando uma oposição medíocre e sem ideias para o país, é um político respeitado, nacional e internacionalmente, no governo e fora dele.
A verdade é esta, Portugal merece o melhor á frente do governo... e neste momento tem-no.
Fernando Pessoa dizia: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena",
pois eu digo: "Sem uma alma grande... tudo é pequeno".
É por isso que a pequenez de uns tantos não é suficientemente grande para ofuscar esta realidade.
Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive. (FP)