
Para desanuviar do espírito libertador do 25 de Abril, que a todos nos contagiou por estes dias, nada como trazer aqui uma das consequências que tal acontecimento nos trouxe e que, neste caso, tem a ver com a liberdade de expressão e com a consequente fiscalização pública dos agentes políticos.
Vem isto a propósito de, á falta de substância e de competência política, a oposição ao actual governo tentar denegrir pessoalmente a imagem do primeiro-ministro com argumentos laterais e relativos á sua formação académica.
Parece que a tentativa de "atirar areia para os olhos" dos portugueses... não passou disso mesmo... de tentativa.
Ou será que o facto de ter escrito somente engenheiro, em vez de engenheiro-técnico, é mais importante do que a falta de carácter, idoneidade e todas estas suspeitas de corrupção?
Entretanto falemos de substância política, daquela que tem a ver com a competência e honestidade, ou ausência delas, dos seus protagonistas.Assim vamos a duas rapidinhas:
Primeira - Um ex-ministro desta oposição que agora é, desgraçadamente, presidente da maior câmara municipal do país, Lisboa, acaba de ser constituído arguido no âmbito do Processo Bragaparques.
A Polícia Judiciária suspeita de crimes como prevaricação, participação económica em negócio, tráfico de influências e corrupção.
O rol de arguidos não se fica por aqui pois, naquela câmara municipal, este não é o primeiro, nem o segundo... e muito provavelmente não será o último.Com algum exagero poder-se-á dizer que, neste momento, a Câmara Municipal de Lisboa é gerida por arguidos com processos judiciais "ás costas".
Segunda - Ainda relativo á OPA falhada que já tantos "dígitos" aqui fez correr, acaba de ser conhecido aquilo que aqui foi denunciado na altura, ou seja, de que a compra não passaria de uma jogada, do tipo "fuga para a frente", duma empresa a caminhar rapidamente para a falência.
A empresa compradora, sabe-se agora, registou prejuízos de 6 milhões de euros (6 M€) só no primeiro trimestre deste ano.
Sem dúvida bem demonstrativa da gestão que esperava a Portugal Telecom caso a citada OPA tivesse tido sucesso.Coincidências, pois tanto num caso como no outro, muito "preocupados" eles ficaram com um único ano, dos dezoito que o primeiro-ministro levou de estudos académicos.