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Energia Nuclear...SIM ou NÂO?

Written By Al Berto on quinta-feira, março 02, 2006 | quinta-feira, março 02, 2006


A favor da energia nuclear:

Com o crescente, e para já imparável, aumento do preço do petróleo surge de novo a hipótese da energia nuclear como alternativa a esse combustível fóssil.

O nuclear tem sobre o petróleo inúmeras vantagens...terá mesmo todas as vantagens se exceptuarmos o factor da segurança.
Sabemos que um acidente nuclear poderá ter consequências desastrosa mas também sabemos que tais acidentes, desde que tal tipo de produção de energia foi colocado ao serviço, são remotas. Das poucas havidas não se conhece aliás, para além de Chernobil, nenhuma anomalia em centrais nucleares que não tenha sido prontamente solucionada.

Por outro lado, e no caso português, pensar o nuclear como sendo algo de nefasto e perigoso poderá ser uma atitude meramente fundamentalista. Quando qualquer um de nós reflectir sobre este assunto deverá ter sempre em linha de conta que na vizinha Espanha já existem centrais nucleares e que, o simples facto de nós não as termos
nas fronteiras nacionais, não impede que sejamos atingidos pelos efeitos dessas mesmas centrais espanholas.

A poluição, qualquer que ela seja, não tem fronteiras terrestres.

Por outro lado o nuclear tem uma grande desvantagem em relação ao petróleo que lhe advém exactamente dos cuidados que devem ser colocados nas questões relacionadas com a segurança. Estes são de tal monta que só esbatem nos benefícios quando estudados para um conjunto de 5 ou mais centrais.

Aqui entra outro dado deveras importante. Se para nós está fora de hipótese ter um tal numero de centrais nucleares então poder-se-á colocar a hipótese de uma "joint-venture" com Espanha e inseri-la no mercado ibérico de electricidade (MIBEL).

Os custos de segurança poderão ficar assim diluídos em função das necessidades energéticas de cada país.

Por outro lado afigura-se inevitável que os países ocidentais tudo façam para, no futuro, diminuir a sua dependência do petróleo nomeadamente por este ter grande parte da sua origem numa zona do globo em constante instabilidade.

Assim a Portugal, ao não acompanhar a tecnologia do nuclear lado a lado com estes países ocidentais, só lhe restará mais uma vez ficar dependente do fornecimento energético desde esses países sem que isso signifique que se vê livre das consequências que um eventual desastre nuclear que aí podesse ocorrer.

Em relação ás questões de segurança poder-se-á dizer que, actualmente, com os sofisticados meios de detecção de falhas decorrentes dos avanços tecnológicos ao nível das tecnologia de informação, e não só, servem de garantia de que a ocorrência de um desastre deste tipo, senão impossível, será muito remota.

Finalmente na economia global também as necessidades energéticas se tornam globais.
Também a poluição é um problema global.
Este é um problema bem real e que se apresenta como, porventura, um perigo bem mais sério e real do que um isolado desastre numa qualquer central nuclear.
O aquecimento global está a conduzir o mundo para um "beco sem saída" de consequências inimagináveis neste momento que poderá pôr em causa a
nossa própria existência como já põe a de outras espécies.
No que nos diz respeito, catástrofes naturais, alteração climáticas, desertificação, etc. são já o prenúncio do que há-de vir se nada fôr feito.

O nuclear está aí e desta vez para ficar.
Não poderemos "fechar os olhos" a esta nova realidade.


Contra a energia nuclear:

1- É um risco de segurança e de saúde inaceitáveis e desnecessários devido aos tremendos acidentes que pode causar, como em Chernobyl na Ucrânia, Three Mile Island e a Brown's Ferry no E.U.A., e Windscale, Inglaterra;

2- É muito caro comparado a outros modos de satisfazer as necessidades energécticas no sector elétrico;

3- Produz desperdícios radioativos duradouros e perigosos que devem ser mantidos longe do meio ambiente por centenas a milhares de anos, e com um grande custo financeiro para sociedade;

4- Se não fosse somente pelos primeiros três problemas, a energia nuclear deveria ser um recurso energéctico sem importância atendendo a tantos outras escolhas melhores existentes e que podem ser usadas na satisfação das nossas necessidades de energia.

Há, no entanto, mais quatro objeções ao uso continuado da energia nuclear:

5- Mundialmente contribui para a expansão ilegal e não desejada de materiais nucleares, tecnologias, e eventualmente armas, como na Coréia, Paquistão, Israel e Iraque;

6- Não ajuda eficazmente, nem seguramente resolve, outros problemas ambientais sérios como efeito estufa (p.exp. os meios de transporte usam derivados do petróleo);

7- Não pode eficazmente ou seguramente terminar a nosso dependência em importações de petróleo, apesar do que a indústria nuclear anuncia;

8- Há um grande risco de um atentado terrorista numa central nuclear ou - surpreendentemente, muito mais perigoso - num local de armazenamento dos desperdícios.


Se pensarmos em conservação e eficiência energética, cogeneração e recurso ás energias renováveis, veremos que estas energias deverão assumir o papel da energia nuclear. Elas ajudam a melhorar a condição ambiental e a economia.
Esta é a direcção a seguir quando se fazem as escolhas das energias futuras.

O debate está lançado.

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