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Ideias para Blogger

Um "meme"... como outro qualquer.

Written By Al Berto on quinta-feira, maio 17, 2007 | quinta-feira, maio 17, 2007


A minha querida amiga Veritas lançou-me o desafio de referir um "meme" que me diga qualquer coisa de especial.
Sim, que me diga algo de especial porque, se for esse o caso, é bem provável que tenha as condições necessárias e, talvez, suficientes para cumprir a sua missão.

Era para falar de algo como:

-"O incompetente é exímio a colocar nos outros a culpa das suas próprias insuficiências" - volta e meia lá "tropeço" num destes - ou, como diz Mark Twain "Mantem-te longe de pessoas que tentam depreciar as tuas ambições. Pessoas de mente pequena sempre fazem isso, mas as que são verdadeiramente grandes fazem-te sentir que também tu podes ser grande."

Mas resolvi não ir por aí e deixar mais uma achega numa chaga da humanidade.
Digamos que... Um "meme"... á medida.

Ora vamos lá então.

O "meme" foi um termo criado em 1976 por Richard Dawkins no seu controverso bestseller "O Gene Egoísta".

'Dawkins discute especificamente a religião vista como um vírus no sentido de um "meme".
Ele explica como a mente duma criança é geneticamente pré-programada para acreditar em tudo que lhes é ensinado sem questionar.
É esta condicionante que as tornam vulneráveis à "infecção" pela religião.

Também a psicóloga Jill Mytton, que sofreu uma rigorosa educação religiosa quando criança, hoje ajuda a reabilitar crianças igualmente afetadas pela fervorosa catequização.

Em entrevista com Dawkins, Mytton explica que, para uma criança, imagens como o fogo do inferno não fica restrito ao sentido metafórico, mas assumem uma significação real, inspirando terror. Ela retrata sua infância como dominada pelo medo.

Quando pressionada por Dawkins para descrever as realidades do Inferno, Mytton hesita, explicando que as imagens de eterno sofrimento que ela absorveu quando criança ainda tinham poderoso efeito sobre ela.

Dawkins questiona se a Bíblia realmente fornece uma base moral adequada, e desafia que os textos são de origem e veracidade dúbias, são internamente contraditórias e, examinadas de perto, descrevem um sistema de morais que qualquer pessoa civilizada deve achar venenosa.

Ele descreve o Velho Testamento como a raíz do Judaismo, Cristianismo e Islamismo, e como exemplo das leituras ele dá Deuteronômio, 13, que instrui crentes a matar qualquer amigo ou membro da família que seguem outros deuses, e Números 31, onde Moisés, nervoso com a piedade que as suas forças vitoriosas mostram em levar as mulheres e crianças como cativas, as amaldiçoa.

Dawkins também questiona uma passagem do Livro dos juízes, 19, em que um velho homem atira sua filha à uma multidão nervosa de "homens loucos" para ser estuprada e humilhada, numa tentativa de salvar o seu hóspede (um homem) de ser estuprado pelos "homens loucos".

Volta-se então para o Novo Testamento, o qual, à primeira vista, descreve ele, apresenta um progresso moral indubitável em relação ao antigo livro.

Mas é repelido pelo que ele chama de doutrina sadomasoquista de São Paulo, onde Jesus teve que ser torturado e morto para que pudéssemos nos redimir e pergunta "se Deus queria perdoar nossos pecados, porque não apenas perdoá-los? A quem Deus está a tentar impressionar?"

Ele acrescenta que a ciência moderna mostra que a alegação dos perpetradores Adão e Eva nunca existiram, acabando com a doutrina de São Paulo.'

Richard Dawkins é um eminente zoólogo, etólogo, evolucionista e popular escritor de divulgação científica britânico, natural do Quênia, além de professor da Universidade de Oxford.

16 comentários:

Carla Ramos disse...

Gostei destes pensamentos... de que partilho.

Pata Irada disse...

Mostardinha

As coisas que estão escritas na Biblia, posso estar enganada, são coisas ultrapassadas.
Não tenho nenhuma religião conhecida. A minha religião é a minha cosciência.
Não acho que a humanidade deva fazer alguma coisa, porque esta coisa é uma obrigação, uma imposição.
Prá mim isso não vale nada.

Se tivéssemos uma boa educação não precisaríamos de "religião".
Todos sabem o que é certo e o que é errado, o que faz bem e o que não faz ao vizinho, portanto, eu sigo duas leis que eu impus a mim própria, faço o que gostaria que me fizessem e também faço, mesmo que não me façam. Se não quiserem agir da mesma forma, não é mais um problema meu.
Cada um que durma com a sua cosciência.
Essa foi a educação que eu recebi e que passei para o meu filho.

Um beijo!

Alexandre disse...

Ah, aí está finalmente um «meme» bem explicado! Um dos grandes problemas das pessoas é que falam por conceitos mas muitas vezes não sabem o que eles querem dizer. Alguém nos peça para definir um determinado conceito e provavelmente nos engasgaremos por que não estamos habituados a saber definir as coisas... aqueles que o conseguem fazer são geralmente os que dão bons oradores, bons professores, bons políticos, bons comunicólogos... e o Mostardinha insere-se neles, nos que sabem definir conceitos.

Um forte abraço!!!

Ricardo Rayol disse...

Mostardinha, uma brilhante explanação. Realmente dá o que pensar se olhando pela ótica carniceira do antigo testamento.

Saramar disse...

Não sei oq ue é "meme" (risos).
Mas gostei demais do seu texto sobre o livro.
Imagino que algum dia, mais tarde, quando estivermos mais evoluídos, a bíblia será considerada como aquilo que realmente é: apenas nais um livro de lendas e costumes de determinados povos.
Para mim, pautar a vida pelo que nela está escrito é regredir aos primórdios dos tempos.
Claro queé um livro belíssimo em algumas partes e terrível em outras. Como todos os livros, aliás.

Obrigada por essa verdadeira aula (mais uma).

beijos

guilherme roesler disse...

Mostardinha,

partilho por completo com o pensamento do Mark Twain.

Abraços, Guilherme

veritas disse...

Olá!

Excelente meme. Tive uma educação religiosa católica e em parte isso veio fazer com que entrasse em confronto comigo mesmo e com a minha consciência em certos momentos da vida. Tive que deixar actuar a racionalidade e o bom senso, não podia permitir que aqueles espectros manobrassem a minha mente ou as minhas atitudes. Durante a adolescência deixei de acreditar em Adão e Eva. E sim acho que a religião se encontra pejada de contradições. Só não as vê quem por falta de racionalidade ou autonomia de espírito precisa desesperadamente de se agarrar a algo para se vitimizar e assim desculpar- se a si ou aos outros...
O meu filho mais velho tem 6 anos, em breve fará 7 anos. Vejo o seu espiríto crítico e a sua autonomia evoluirem muito positivamente. Tenho andado a ser instigada para o colocar na catequese, mas temo vir a atrofiar o seu espírito,daí a minha hesitação. Até porque quero que ele cresça com o espírito muito mais liberto do que eu...

Bjs. Bom fim-de-semana.

Jorge Sobesta disse...

Caro Mostardinha,

Obrigado por me ensinar o que é um meme.

Quanto a pergunta "Porque estamos aqui" bem, no Brasil parece que é unica e exclusivamente para sermos feitos de palhaços.

Grande abraço e ótimo final de semana.

Cristina disse...

Mostardinha,
Antes de mais adorei o teu meme, e segundo, adorei a forma como o explicaste! Agora sim, compreendo bem o que significa...
Os meus parabéns pelo texto
:)
beijinhu

Nilson Barcelli disse...

Magnífico post.
Parabéns pela abordagem que fizeste, mito boa.
Bom fim-de-semana.
Abraço.

Moinante disse...

Subscrevo o que escreveste .
O titulo do meu " meme " , no poema , é um link intencional , direccionado para a investigação que aqui descreves . Contudo ,o poema flutua na capacidade das pessoas transmitirem os seus conhecimentos , sem egoísmo ou falsa fé .A forma como o poema está escrito , induz a uma imaculação , falsa , por isso disfarçado de auréola toca em algumas " Chagas " , como tu dizes e bem , da humanidade .


A saga do Chico chegou ao fim .

Um bom fim de semana .

Abraços .

Margri disse...

Mostardinha:
Conseguiste transformar o teu "meme" de forma excelente.

Realmente, certos condicionamentos
da infância marcam-nos para toda a vida, e os conceitos religiosos que nos inculcaram não fogem à regra.

Mas devagar e progressivamente, cada vez mais vamos adquirindo o hábito de questionar certas "verdades" e de pensar pela própria cabeça.

Um abraço e bfs.

Meg disse...

Os meus parabéns por mais este belo trabalho. Objectivo.
É bom que as verdades sejam ditas.
Um abraço

SaltaPocinhas disse...

Xiiii! grande explicação!
Também tenho uma coisa dessas para resolver, mas não consigo escolher só uma frase! :(

Stella disse...

desconhecia esse termo, contudo creio que ensinar religião, não importa qual, para crianças, é transformá-las em seres condicionados, manipuláveis e ignorantes.

mulherazul disse...

Bom dia. Agrdeço a explicação, eu desconhecia, mas a religião actualmente pode ser o que tu quizeres, é estranho o que digo mas é verdade eu não acredito na bíblia, já me foi lida , recebi uma educação católica. mas não me casei por nenhuma relegião nem sou praticante, acredito no bem, na simplecidade e na facelidade de amar.E se realmente houver um deus todo poderoso ele não haveria de gostar das promessas que as pessoas fazem (que lhe causam sofrimento). chamem-me sonhadora ou romantica. E parabéns pelo texto