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Ideias para Blogger

O Triunfo dos Porcos.

Written By Al Berto on segunda-feira, agosto 28, 2006 | segunda-feira, agosto 28, 2006

Tudo começa quando um velho porco, o Velho Major, convoca os animais de Manor Farm para uma reunião na qual expõe o sonho que teve:

- Os animais sempre viveram subjugados pelo homem, embora este tenha capacidades inferiores às de qualquer deles.
O homem é a única criatura que consome sem produzir
- diz ele.

O Velho Major sonha com a revolução que libertará os animais deste jugo e comunica aos outros o seu sonho, numa canção chamada Animais de Inglaterra, que expõe a sua filosofia, o Animalismo. Três dias depois, o Velho Major morre.

Mas os animais começaram a pensar nas suas vidas de outra forma, e organizam-se para preparar a revolução.

Nesta altura começam a distinguir-se dois porcos - Napoleão e Bola de Neve.
Eles começam a dar forma ao Animalismo e quando, alguns meses depois, o dono da quinta Sr. Jones, que em tempos fora um bom agricultor e tratava bem os seus animais mas começou a beber e a maltratá-los, regressa a casa embriagado e se esquece de alimentar os animais, a rebelião estala.

O Sr Jones ainda tenta reagir, mas é expulso pelos animais, que destroem os chicotes e outros símbolos das sua servidão e festejam a sua vitória comendo uma ração extra.

A quinta é rebaptizada com o nome de Animal Farm - A Quinta dos Animais - e os porcos, considerados os mais inteligentes entre os animais, redigem sete mandamentos que são escritos na porta do celeiro e que passarão a reger a vida da nova quinta.
São eles os seguintes:

1º - Tudo o que tem duas pernas é inimigo.
2º - Tudo o que tem quatro pernas ou asas é amigo.
3º - Nenhum animal usará roupas.
4º - Nenhum animal dormirá numa cama.
5º - Nenhum animal beberá álcool.
6º - Nenhum animal matará outro animal.
7º - Todos os animais são iguais.


Também fica acordado que nenhum animal entrará na casa - transformada em museu - e que nenhum animal contactará com os humanos.

Como os animais menos inteligentes têm alguma dificuldade em apreender os sete mandamentos, os porcos resumem-nos num slogan muito simples:

- Quatro pernas bom, duas pernas mau!, o que é repetido incessantemente pelas ovelhas.

Algum tempo depois, o Sr Jones tenta recuperar a quinta mas é vencido.
Bola de Neve tinha estudado as tácticas de guerra de César e organiza os animais que, sob a sua direcção, lutam corajosamente pela sua liberdade.

Bola de Neve e o cavalo Boxer recebem medalhas pela sua bravura em combate e Napoleão também é condecorado, apesar de não ter lutado.
Este será um motivo de frequentes divergências entre os dois porcos.

Bola de Neve concebe então os planos para a construção de um moinho de vento que produzirá energia para a quinta.

Mas Napoleão não concorda com ele e, com a ajuda de seis cães que roubou à mãe em cachorros e criou secretamente, expulsa Bola de Neve da quinta e convence os animais de que este é um traidor, que esteve sempre do lado do Sr Jones e que nunca recebeu uma medalha.

Empreende-se, apesar de tudo, a construção do moinho de vento.

As horas de trabalho são sucessivamente alargadas e as rações de comida cada vez mais curtas, embora os porcos continuem a engordar e a prosperar.

Eles comem, por exemplo, todas as maçãs e todo o leite, com o argumento de que são alimentos necessários à saúde dos porcos e estes são indispensáveis ao bom andamento da revolução.

À medida que o tempo passa, os porcos empreendem negociações com agricultores da região - e garantem aos outros animais que nunca se tomou a resolução de não contactar os humanos, isso foi apenas uma invenção da ovelha Bola de Neve, transformado no arqui-inimigo da revolução.

Decidem depois passar a viver na casa e quando os animais vão reler os mandamentos na porta do celeiro, eles vão sendo modificados:

4º - Nenhum animal dormirá numa cama com lençóis.
ou
5º - Nenhum animal beberá alcoól em excesso.
ou ainda
6º - Nenhum animal matará outro animal sem motivo.


Ao fim de um ano de trabalho, quando o moinho está quase pronto, é destruído por uma tempestade. Napoleão acusa Bola de Neve da destruição do moinho e empreende-se imediatamente a sua reconstrução.

O hino Animais de Inglaterra é banido uma vez que a sociedade ideal que ele descreve, diz Napoleão, já foi atingida sob o seu comando.

Mais horas de trabalho, menos comida e, ao fim de mais dois anos, o moinho está de novo em vias de conclusão.

É então que o Sr Jones ataca a quinta.

Os animais vencem, mas o moinho é de novo destruído.
A reconstrução leva três anos.

A comida é reduzida ao mínimo e, um dia o cavalo Boxer adoece.
É levado por uma carroça e, embora Napoleão diga ao animais que ele foi para o hospital, o burro Benjamim lê a inscrição na carroça e vê que ele foi vendido a um fabricante de cola.

Napoleão e os outros porcos celebram, em conjunto com os agricultores da vizinhança, a eficiência da sua quinta, enquanto os animais trabalham duramente com parcas rações de comida.

Ao olhar pela janela para dentro de casa, os animais apercebem-se de que já não conseguem distinguir os porcos dos homens.

O slogan que as ovelhas repetem mudou ligeiramente:

- Quatro pernas bom, duas pernas melhor!

O último mandamento, que era o mais importante, foi também alterado e feito único.

Diz agora:

- Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.

11 comentários:

António Silva disse...

apesar de velhinha uma história sempre actual.

Stella disse...

Revolução dos Bichos - Orwell
inesquecível e atual

Julis disse...

Muito legal a história, inclusive a imagem rsrsrsrs

AC disse...

A realidade em forma de fábula.
Cpts

Vera disse...

Olá José Alberto, sempre bom ler seus posts (nos orientam). Veja ditadura no Brasil à moda antiga: A "DITADURA DO SENHOR DE ENGENHO!",
retirou do ar o blog da jornalista Alcinéia e da Alcinete também!
:-) Bjs

Jorge Sobesta disse...

Mostardinha,

Bela fábula esta do Orwell.
Não pude deixar de notar a semelhança entre Lula e o porco Napoleão.
Lula também estava cheio de "boas intenções" mas com o tempo mostrou do que era feito.

Um abraço.

Jorge Sobesta disse...

Mostardinha,

Bela fábula essa do Orwell.
Não pude deixar de reparar a semelhança do Porco Napoleão com o porco Lula. No começo ele era cheio de "boas intenções" mas com o passar do tempo, mostrou do que é feito.

Um abraço.

Jorge Sobesta disse...

Mostardinha,

Bela fábula essa do Orwell.
Não pude deixar de reparar a semelhança do Porco Napoleão com o porco Lula. No começo ele era cheio de "boas intenções" mas com o passar do tempo, mostrou do que é feito.

Um abraço.

veritas disse...

olá José Alberto:

Liberdade, igualdade, fraternidade, estão enunciadas na declaração universal dos direitos do homem, mas aplica-se todos os homens são iguais...até chegar ao poder...depois pode ler-se "Todos os animais( homens) são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros..."

Bjs.

Macillum disse...

Para compreender o tipo de mentalidade desta nova ordem mundial é indespensável lêr "1984" de George Orwell, criado em 1948.
Este foi o último livro de uma trilogia de três autores diferentes:
O primeiro a escrever sobre uma sociedade do futuro absolutamente controlada pelo Estado tecnologico, foi Levgueni Zamiatine, em 1920: "Nós", o no me do livro.
Depois veio Aldous Huxley, em 1930, com o "Admirável Mundo Novo".
Só depois é que veio George Orwell, dedicando várias obras à descodificação do funcionamento dos governos tiranos.

Nelson Peralta disse...

Muito haveria a comentar sobre o Triunfo dos Porcos.

Orwell, na altura da escrita, criticava assim uma sociedade totalitária, a URSS.

Napoleão simbolizava Estaline e Bola de Neve Trostky. Algo que não refere aqui no blog é que Bola de Neve defendia o alargamento da revolução animal às quintas vizinhas, de forma a proteger a revolução e a sua própria quinta dos humanos opressores. Esta era de facto, embora mais complexa do que expliquei aqui, uma das maiores diferenças entre Estaline e Trostky. [A revolução Permanente de Trostky]

Contudo o que me surpreende em Orwell, principalmente em 1984 - também onde figuram Estaline e Trostky - é que um livro escrito a pensar numa sociedade totalitária comunista, retrata na perfeição a sociedade democrática neoliberal em que vivemos actualmente.