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Uma lei medieval.

Written By Al Berto on sexta-feira, junho 30, 2006 | sexta-feira, junho 30, 2006

O QUE DIZ A LEI?

O Código Penal determina que “a mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até três anos”.

QUANTO CUSTA?

Do outro lado da fronteira, em Huelva e Cádis, por exemplo, interromper a gravidez, dentro da legalidade e em condições de saúde, custa 400 euros.

QUANTAS MULHERES?

Cerca de seis mil mulheres em Portugal recorrem, por ano, às Urgências dos hospitais devido às complicações associadas a abortos mal feitos.

Pergunta do próximo referendo, provavelmente em Janeiro:
“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

A minha escolha é SIM, sou a favor desta despenalização.
É ridículo que, a nível europeu, só em Portugal se condenem com prisão as mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez.
É uma vergonha que num país democrático isso aconteça.
Gostamos muito de comparar o nosso país com Espanha mas até nisso estamos atrás.


Bem entendido que está lei há muito não existiria se as portuguesas e os portugueses tivessem acorrido devidamente ás urnas no anterior referendo sobre a matéria e que foi caracterizado por uma abstenção record.

8 comentários:

Emanuelle disse...

É uma matéria polêmica! Agora largando a hipocrisia de lado, acho que enquanto não é feto formado, ou seja, nas primeiras semanas acho que deveria ser aprovado. Agora, para quem não quer correr esse risco tem tantos meios de se prevenir.
Mil beijos com carinho.
Emanuelle.

José Alberto Mostardinha disse...

Olá Emmanuele:

Não é polémica nenhuma...isso é encenação.

Do que aqui se trata é simplesmente de saber se é justo enviar para a cadeia mulheres que, seguramente contra a sua vontade e pelos mais diversos motivos que para aqui não vêm ao caso, se é justo dizia eu, enviá-las para a cadeia por esse facto.

Para mim não só não é justo como é uma autêntica aberração social tal facto.

Quanto ás pessoas que pretendem transformar isso numa polémica são as mesmas que se dizem contra o uso do preservativo como anticoncepcional...numa altura inclusive em que os números relavivos ao HIV/SIDA não param de aumentar.

Isto já é uma conversa tão gasta que até já "dá sono".

beijinhos,

Kafé Roceiro disse...

A sociedade tem que largar mão da hipocrisia, amigão!
Tem que legalizar pelo menos nas primeiras semanas.

veritas disse...

acho que toda e qualquer mulher deve ser dona do seu corpo, no entanto deve responsabilizar-se por tudo o que faz com ele...acho que nas escolas deveria existir mais incremento da divulgação do planeamento familiar, mas até em relação a isso a nossa sociedade falha...e acho que os centros de saúde também t~em aí um papel a desempenhar a nível geral e não só ´para ajudar os futuros nubentes a escolher meios contraceptivos, porque todos sabemos que hoje em dia os jovens iniciam cada vez mais cedo a sua vida sexual. Hoje também há a pílula do dia seguinte. Tendo em atenção que os abortos se fazem em situações precárias e por pessoas não legitimadas para isso, por vezes, e que também há muitas mulheres a recorrer a Espanha, digo, acabe-se com essa degradação, legalize-se, mas nas primeiras semanas.

veritas disse...

peço desculpa...têm

Maréchal Ney disse...

Most:

Sabe, meu amigo, estas coisas dos plebiscitos é um grande problema, ainda não resolvido, passados 30 anos.
Fazer perguntas directas ao povo, dá nisto.

Como vamos explicar à população, contínuamente desinformada pela direita, que o que se está a referendar não é o aborto mas sim a sua despenalização.

E, olhe meu caro, estou bastante inclinado para o posição do P.C.P.:
Vamos correr um risco desnecessário.
Resolvia-se em sede de Assembleia da República, com custos exíguos.
Porém como iria reagir a direita na sua versão trauliteira e penumbrosa.


Maréchal Ney

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Kafé:

Obrigado pela sua contribuição, é sempre um gosto recebe-lo cá na "roça".

Quanto ao tema concordo com o que diz.

Um abraço,

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Maréchal:

Só os burros é que não mudam de opinião.
Essa "direita na sua versão trauliteira e penumbrosa" como refere, estará, quero crer, mais civilizada quanto a este tema.

Por outro lado trata-se de decidir sobre uma lei que nunca deveria ter sequer existido.
Quem a produziu, seja quem for, foi de uma autêntica imbecilidade política.

Por outro lado isso é coisa do passado a partir do momento que mesmo aqui ao lado, em Espanha, tudo corre dentro da legalidade.
Teimar na aberração é "pregar no deserto".
Caberá aos portugueses pronunciarem-se sobre esta matéria de forma esclarecida.

Por outro lado nenhum juiz intelectualmente saudável está na disposição de mandar para a prisão uma mulher que, por vicissitudes da vida, teve que interromper uma gravidez.

Quanto á posição da Igreja, verdadeiro patrono dessa direita que fala, e relativamente a este tema, se persistir na aberração de querer mandar pessoas para a cadeia, terá que ser confrontada com o seu mais negro passado histórico que, como sabemos, incluiu, entre outras orgias, pedofilia ao seu mais alto nível, para além de assassinatos selectivos.

Portanto ou se cala ou terá que ouvir outros argumentos que não serão certamente muito abonatórios.

Um abraço,